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Camões e a cultura- passado, presente e 'futuro'

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Camões, homem da nossa língua que deu horizontes a algo que se pensava impossível, nos mostra a importância e a valentia das letras e o quanto elas não devem se subjugadas ao "vil metal". Na sua grandiosa obra Os Lusíadas mostra-nos aquilo que ainda hoje vemos, o não haver um verdadeiro cuidar das artes. Este é um problema crónico nacional, e cada vez mais global, pondo em causa , a humanidade. O olhar sobre a cultura tem de mudar! Não só para se ter cidadãos cultos, mas para preservar a História, como muito bem o faz. Hoje, já como em tempos áureos, deparamo-nos com a classe que dá "novos mundos ao mundo" mergulhada na miséria e tudo isto por uma enorme falta de investimento naquilo que temos mais de nosso, a cultura. Quem é o povo sem cultura? A vida não deve ser nada mais nada menos que um permanente questionar sobre o mundo compreendendo o tão "fraco humano", que por si só cai para o mais fácil, deixando-se por isso corromper. É i...

Livro de anedotas

Estão a ver aqueles livros que têm uma anedota por cada dia do ano? Vou-vos contar a de 8 de junho. O Sr. Deputado Rui Rio entra num bar e diz: «Não há racismo na sociedade portuguesa!» É uma piada curtinha. Hilariante, não é? Nem por isso. Na verdade, é bastante infeliz. Os nossos políticos ignoram este tipo de problemas, tal como ignoram as mais diversas atrocidades aos direitos humanos por parte da China, da Venezuela, tantos outros, enquanto papam os bons negócios e relações. Outros, para além de ignorar, ainda negam - ou dizem que em Portugal não há racismo, ou que o massacre na praça de Tiananmen é uma farsa... (Não se iludam, agora o assunto na boca do mundo pode ser um, mas a hipocrisia e o aproveitamento estendem-se a todo o espectro político).  Nos Estados Unidos da América, a violência policial e o racismo mantêm-se, ou até aumentam, de ano para ano. As forças de autoridade continuam resistentes a qualquer tipo de reforma e mudança. Para além disso, as várias administraç...

Justiça por todos os George Floyd

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Um ser humano é asfixiado até à morte por um agente da autoridade - um Estado não pode executar um cidadão em praça pública e passar impune. Todos os dias chegam-nos histórias como a de George Floyd. Seja nos Estados Unidos , em Hong Kong ou em  qualquer outro lado, perecem constantemente pessoas às mãos do poder abusivo e da autoridade sem escrúpulos, característico de regimes opressivos. É inevitável o recurso à violência por parte de quem é oprimido - é o princípio básico, por exemplo, do contrato social de Locke. Quando um Estado, cujo dever é zelar pelo bem-estar dos seus cidadãos, começa a matá-los, podemos condenar a resposta natural que daí advém? Tenho sorte de não saber o que é ser discriminado por razões étnicas, religiosas, género, orientação sexual ou outras, muito menos pelo sistema que deveria ter zero tolerância ou benevolência por tal ato. Por conseguinte, como reagiria se acontecesse comigo? E se, para além disso, o sistema que tem a obrigação de me proteger se es...

Maioridade

No meu nascimento veio à memória do meu pai uma frase abatida:  Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida É inverno em Portugal. Primavera no mundo. Estamos em abril. Cheguei à primavera da vida. T ão depressa o sol brilha como a seguir está a chover No silêncio da noite um blackbird singing in the death of night . Sorvo um gole de água da caneca. Oiço o elevador a subir e sorvo outro gole de água. Continua a cantar blackbird. Gosto da solicitude da noite. Gosto da inspiração que ela me dá. Tudo me inspira a escrever, mas nem um poema me sai. Quero cantar o mundo, mas sou português. Sou da terra dos poetas. Sou da terra dos artistas. Não há Tejo como o nosso. Não há ninfas como as nossas. Orgulha-te como eu me orgulho! Em mim não me orgulho porque a terra conclui pela décima oitava vez a sua volta ao sol desde o dia em que o pai disse: Hoje é o primeiro dia da tua vida. Parece que tudo recomeça. Uma nova primavera. Um novo ciclo. Mas não. É só mais um dia. Sorvo um gole de...

Não sei o que isto é

Não sei o que vou escrever honestamente, ninguém sabe. Neste momento ninguém sabe nada, mas sabem tudo. Tudo porque todos são entendidos. Em quê? Não sei. Ninguém sabe. Isto tudo nem faz muito sentido, mas também não tem de fazer. Como não se sabe nada, não se sabe o sentido das coisas. Só as coisas agora têm sentido. As pessoas deixaram isso para trás, perderam os sentidos. Não sentem. Também não querem sentir. Sinto-me assim, portanto. Mas não sei se sinto de todo.

Um tempo...

As portas das casas fecham-se, dos olhos abrem-se, tudo a todos a acorre. É com dor que vemos um mundo de memórias partir, é da tristeza dos olhos de cada, que nos perdemos, para nos encontra. Isto é um tudo que é nada. É apenas o conto do populista, que quer fama e glória esquecendo-se do envolvente. É o deixar crescer os pensamentos presos em gaiolas, que libertaram águias famintas. É um envolver nas tristezas que o passado nos ensinou a enfrentar… E hoje sabemos o que é amar, o que é estar longe, mas encontrar. É hoje que descobrimos a verdade da vida que parecia desprovida de qualquer sentido. É hoje que nos abraçamos. É hoje que percebemos a nossa igualdade. É hoje! Este hoje é tarde, este hoje é mesmo hoje que ontem foi abafado e que no dia anterior também, é o hoje do desespero, dos olhos que choram por não ter que dar de comer aos seus, é o hoje de sempre ignorado. São as portas do coração que se abrem para permitir que o outro as tranque, esquecendo-se que amanhã...

Um suicida

Um suicida despede-se do mundo e morre. O mundo despediu-se de mim. Estou só. O que significa isto?