Crónicas da pandemia - 1º de maio

As comemorações do Dia do Trabalhador geraram uma polémica completamente ridícula. Ao que parece, há por aí uma pandemia que matou uns quantos, então acham logo que as ações de rua «colocam em risco a saúde pública».

Durante a comemoração da data na Alameda D. Afonso Henriques, por parte de apenas nove ou dez membros da CGTP, apareceram centenas de fascistas malditos mascarados de sindicalistas, de forma a culpar a confederação sindical de estar a juntar demasiadas pessoas. Vergonhoso… A malta do Casal de Cambra é que pode tirar umas aprendizagens… Na passada segunda-feira, tinha-se evitado a cena de pancadaria com a PSP – em vez de vinte pessoas, juntava-se mil, já não havia problema! Ainda levavam uns elogios do Sr. Ministro da Administração Interna. Mas atenção, estão proibidos apenas os ajuntamentos de mais de dez pessoas, e a CGTP é uma só - CGTP, unidade sindical!

«Você tem de voltar atrás, não tem ordem de sair do concelho de residência». «Sô guarda, vou manifestar-me contra a falta de vitamina D para o areal da Caparica!». «Ah, com certeza! Pode seguir, continuação de boa tarde». Aqui na minha aldeia, por exemplo, bastava os velhos ficarem a segurar num cartaz a dizer «Não à exploração!» e já podiam estar sentados na paragem à vontade.

Mais do que nunca, há que ter respeito pelos trabalhadores. Aqueles que têm de sair de casa e manter o país a andar para a frente, não obstante a situação que vivemos, merecem que zelemos pela sua saúde. Colocá-los em risco não é lutar pelos seus direitos.


João Miguel Simões

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